Eu tenho medo, querida, de viver desse arrependimento eterno de não te ter dado adeus. Não que importe pra você. Mas, sabe, seus cabelos... Ah, eu me lembro deles. Hoje acordei com vontade de não ver as cores. De não lembrar que alguém roubou-as de você. Acordei com vontade de ser muda e daltônica e não tem que falar para ninguém que te roubaram a vida.
Você tinha tantas cores, menina. Eu me lembro dos seus sorrisos. Do seu piercing no lábio e das vezes em que você o perdia. Nunca tive a chance de te abraçar e dizer que tudo ia ficar bem. E realmente não ficou. Eu fico pensando se você não se sentiu completamente sozinha na noite em que te fizeram isso. Eu tenho medo. Medo de acabar que nem você: Sozinha.
Eu tenho, na verdade, medo é de lembrar sempre do seu sorriso. Fico pensando se você sorriu na última vez em que entrou em casa. Seus últimos passos ressoaram? Lembro-me de quando você disse que gostava de marcar pessoas. Bom, você me marcou. E eu agradeceria se você ainda pudesse me ouvir. Não vou matar suas cores. Elas estão bem aqui pra quando você voltar. São suas. Só suas. Eu acreditei em você quando você disse que seria feliz. Você foi. Um sorriso seu ficou comigo.
Vá em paz, menina, e não nos deixe morrer na lembrança de dias mais felizes.
terça-feira, 21 de abril de 2009
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