terça-feira, 15 de setembro de 2009

Dois pequenos carvões em brasa. A faca suja ameaçando cair da pia. Tentações da noite, calo-me então. Mas medo - isso - nunca foi meu, de joelhos no colchão, como eu poderia sentir dor? E talvez seja só isso. Dessa vez, uma última vez, eu me esfacelaria em pó de sinapses - dor física não mata, meu bem.
E se os minutos não me engolissem para dentro do seu ruído infernal, eu deitei no mar de rosas e me afoguei - algo mais trágico? Talvez, porém teria de me pedir sangue, das mesmas mãos com as quais sufoquei seu grito. Com o mesmo medo, das mesmas cartas, dos mesmos sussurros na madrugada rasgando e rasgando o que eu gostaria de lembrar, mas não lembro. Só calando a dor de não voltar a ter a minha paz. Eu espero, sim, que morram todas as folhas que secam na calçada, assim como morreu meu amor - suicídios comuns de ladrilho em ladrilho; carne podre no chão do que não foi e do que sequer deveria ter sido.
Dor física jamais seria o suficiente.