quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Buried as deep as you can

É que às vezes eu lhe pego encarando a si mesmo no espelho e perguntando: “Quem você pensa que está enganando?”. Você não era infeliz, só tinha os olhos tristes pela falta do toque, que sua esposa – esposa? – jamais teria. Então, culpe-se. Eu espero que você se lembre de cada beijo não dado e de cada marca não curada. Quero que lembre o sangue que derramamos por isso. Isso que você deixou morrer. Mas, especialmente, eu espero que você saiba que a culpa é sua. Não pense, meu caro, pare de ser tão hipócrita e, por favor, assuma para si mesmo que tua dor é minha.

Teus olhos são pedras, que me prenderam aqui. Fagulhas finas me enfiando na carne o gosto do sangue que eu te dei, de tão bom grado. Vá embora e não me olhe espalhar no chão as lágrimas que você não quis. E não ouse vir aqui para me culpar pela sua inconstância. Oh, não. Essa dor é minha, jamais foi sua, pois são minhas mãos que doem todas as madrugadas, enquanto seguram o copo de absinto que minha garganta regurgita. Viu agora a amarga diferença? Sou desprezível, meu caro. Você ainda é o hipócrita aqui, ainda se esconde por detrás dessas máscaras. Quem você pensa que é? Que pode levar para longe minhas palavras e transformá-las em cinzas. Não, seus olhos são cinza, não os meus. A culpa é sua, meu caro. Sempre foi.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Você sempre gostou da noite por ela ter esse silêncio que te engole vivo. Eu nunca te machuquei como eu deveria. Meu caro, você, com seus dedos de lama, jamais seria capaz de descer do seu pedestal e encontrar os meus olhos. Talvez, doce pretensão, porque eles te cortassem em crateras tão profundas na pele, que seu orgulho em ser completo era maior e você escolhia me deixar no negror da dúvida. É tão cômodo me olhar cair quando nós já não temos os braços dados, não é?
Não me lembro da cor dos seus olhos, mas me lembro de quando você escrevia meu nome e me lembro da tua voz. Hoje, você ficou mudo. Sumiu, mas não levou as memórias que eu deveria esquecer. Muito menos os trapos das palavras que me jogou. E quando me encostou na parede e me fez escolher. E eu escolhi o seu melhor amigo. É por isso que me rejeita até hoje? É por isso que não me olha nos olhos ou que, quando passa, sabe que eu estou te matando com o canto das íris e eu te queimaria vivo pela dor que me fez passar dentro das paredes daquela sala sem teu nome na porta. Se fosse verdade que me amou um dia, eu quebraria minhas entranhas apenas para voltar os anos e ver teu sorriso ser meu. Só meu.
Finalmente, eu espero que você apodreça dentro de mim, para que jamais me deixe só. Eu espero que teus dedos forjem meu rosto e que eu jamais esqueça quem foi você.