É que às vezes eu lhe pego encarando a si mesmo no espelho e perguntando: “Quem você pensa que está enganando?”. Você não era infeliz, só tinha os olhos tristes pela falta do toque, que sua esposa – esposa? – jamais teria. Então, culpe-se. Eu espero que você se lembre de cada beijo não dado e de cada marca não curada. Quero que lembre o sangue que derramamos por isso. Isso que você deixou morrer. Mas, especialmente, eu espero que você saiba que a culpa é sua. Não pense, meu caro, pare de ser tão hipócrita e, por favor, assuma para si mesmo que tua dor é minha.
Teus olhos são pedras, que me prenderam aqui. Fagulhas finas me enfiando na carne o gosto do sangue que eu te dei, de tão bom grado. Vá embora e não me olhe espalhar no chão as lágrimas que você não quis. E não ouse vir aqui para me culpar pela sua inconstância. Oh, não. Essa dor é minha, jamais foi sua, pois são minhas mãos que doem todas as madrugadas, enquanto seguram o copo de absinto que minha garganta regurgita. Viu agora a amarga diferença? Sou desprezível, meu caro. Você ainda é o hipócrita aqui, ainda se esconde por detrás dessas máscaras. Quem você pensa que é? Que pode levar para longe minhas palavras e transformá-las em cinzas. Não, seus olhos são cinza, não os meus. A culpa é sua, meu caro. Sempre foi.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
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