segunda-feira, 27 de julho de 2009


Os relógios sempre me odiaram. Ontem fez um ano. Eu digo ontem, pois são cinco e oito da manhã. Ou pelo menos deveriam ser. Sei que não tenho sono. E sei também que essa noite foi longa. Ele disse que voltaria. Na verdade, eu acreditei. E eu deveria ter um copo nas mãos de qualquer coisa que contivesse álcool. Química, orgânica, aulas. Estão chegando novamente para acabar com a minha vontade de ser livre e de poder acreditar que um dia colocarei mãos hábeis em objetos e saberei consertá-los. Mãos de mestre, não mais de aprendiz. A dependência e a rotina me matam. Queimam-me como os papéis dos cigarros que ele não fuma mais. E talvez, pergunto-me, o que será de mim quando eu não tiver mais os dedos sujos das palavras que eu não quis escrever? Mas a verdade é que eu nunca quis a verdade. Deitei nos trapos que imaginei ser aqueles que o embalavam no seu leito de morte, mas ele não morreu, não é? Não deveria ser tão dramático. Esse silêncio é que me mata. Eu me recusei a ouvir voz dele, sabia? Porque estava doendo quando ele respondeu àquelas perguntas. Quero ver se esse vai ser só outro texto que eu vou escrever e apagar. Abortos, eu os chamo. Exatamente iguais a ele. Sequer sei se está doente. Eu estou. E - talvez - ele devesse saber. Eu fiz daquela a última noite que doeria ter o nome dele bordado na minha pele de suicida enrustida. Mas eu nunca fui de mandar nos meus vícios. Talvez eu só queira doer um pouco mais. Avisarei quando estiver pronta. Ready, go.

Um comentário:

  1. Ele queria que eu te falasse algo, mas eu o distraí e ele esqueceu, ele não lembrou e a mensagem não foi, e eu não estava aqui pra perguntar novamente.

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