Foi a última vez que ouvi aquela música. Arrumei as malas e parti. Senti falta do calor e odiei as cobertas no inverno, senti falta do que nunca mais volta. Sei que aqui tem baratas demais, pois a cidade é suja e grande – grade demais. Tantas pessoas e, em nenhuma delas, você. Eu só sei que fui me perdendo aos poucos. Primeiro, ao broto da palmeira que nasce na avenida principal, depois aos assentos dos ônibus e, por último, tive de lavar as mãos nos banheiros da universidade e esquecer o colégio, os balanços, as garrafas d’água e os sorrisos. É isso: Ainda não sorri aqui. Estou soluçando, talvez de medo, talvez. Mas você vem? – Era o espelho outra vez. E eu queria ir para o outro lado, eu queria, ainda tentei passar a mão pelo vidro e o “impossível” me alcançou de novo. A culpa não é minha, meus caros, nunca foi. Só nasci assim: triste.
Só vai entender quem tiver vivido nos meus sapatos. Eu já chorei muito, só quero um casaco – mais um, antes de o verão chegar – para poder enfrentar o mundo até o outro lado da rua, do espelho, do mar. Quero mesmo é mais uma daquelas chuvas torrenciais para me levar embora no barquinho de papel (que já afundou). Mas estou sendo repetitiva? Sim, acho que sim. Só não quero deixar outra lacuna vazia e - Deus! - já fiz tantas promessas sem sequer começar...
Eu moro no 3485, e quem sabe você venha me visitar. Eu ando mesmo precisando de visitas. Não tenho chá, mas posso lhe oferecer café e alguns biscoitos. Venha à tarde, venha à hora que quiser, mas venha. A chama do fogão ainda está acesa e a chave está sob o carpete da entrada. Faça-me uma surpresa, faça-se em casa, faça-me feliz.

De onde mesmo nós viemos...para onde mesmo nós iremos...
ResponderExcluirQuerem de nós o sangue que não podemos derramar..porque somos apenas estantes vazias..de livros...
Revestindo nossa promiscuidade com látex..nos fazem crer sermos loucos por discordar... porque os loucos...que acreditam que as coisas não existem...Ha...insana sanidade humana....
Olá pekena.. o.O Sei nem se ainda posso chamar assim eim?! :p
Belo texto.. parabéns ;*
vc escreve muito bem (:
ResponderExcluirA bota da humanidade espelha o córtex da solidão.Você me chama de louco porque eu assoviei a canção da lucidez.Somos apenas cadeiras quebradas, nossa missão é saltitar como vagalumes pelos ermos vales da solidão.
ResponderExcluirEnc 010.
VOLTA LOPES !
SEM VOCÊ NAO FAZ SENTIDO!
Saudoso.
ResponderExcluirAdorei.
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