Um dia lhe contaram sobre as flores amarelas, de mil cores que ele não poderia ver. Um amputado, mudo e daltônico sobrevivente. Mas havia a febre que o consumia e o fazia diferente. Os olhos vermelhos das madrugadas sem fim herdados pelos filhos doentes. O mundo em escalas de cinza, variando da prata ao resto que a chama apagada do fogo deixava na lareira em noite fria.
Era tarde, era tarde, ele sabia, mas havia algo. Talvez a febre. Sempre a febre a crepitar em seus ouvidos queimados. Havia algo que o fazia arrancar os cobertores e andar pela casa. A arma na mão, procurando pelos fantasmas da cor da cinza. Um som, um tiro. Cristais pequenos pelo chão. Foi a primeira vez que viu o sangue. O sangue cinza de seu filho mais novo. No chão. E a febre que não morria. Só os outros... Só os outros. E o seu nome enclausurado em veias mortas. Pobre soldado, sozinho, solitário. Soldado.
Murcharam, então, todas as flores e ao cinza sucumbiram. Fecharam-se os olhos e da lareira se ouviu apenas o som do fogo se apagando. O fogo que a tudo consumiria, exceto - sempre e claro, claro como o cinza de minhas mágoas - a febre.

Lindo, Camila, lindo!
ResponderExcluirJess.
Wow.. Show de bola pekena...
ResponderExcluirNem sempre o cinza destroi.. nem sempre a mudança é apenas ruim... Na vida nada se perde, tudo se transforma. Apenas uma mudança de realidade..ou seria de ponto de vista?
;] ;*
Olá Camila
ResponderExcluirNão me recordo do dia que fiz um comentário no seu blog, mas devo ter feito rsrsrs
Meu nome é Nina e sou a autora do Teatros Dos Vampiros.
Que bom que tenha gostado do meu espaço...voltarei a atualizar em breve.
bjos para vc
Stelle d'Rousseloth
Eu me arrepiei com o seu texto. Seu lirismo me impressionou. Adorei o texto e passo a ser tua seguidora.
ResponderExcluirAbraço.