terça-feira, 6 de abril de 2010
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
My emptiness, my craziness.
Estou com a expressão "roda-viva" na cabeça. Foi de um texto do Hugo, que ele me pediu pra passar pra inglês. E... é irônico. Eu estou rodeada de ironias, sarcasmo. Eu me sinto tão cruel. Comigo, comigo. Eu tenho nojo dessa minha vontade de sair e gritar no meio da rua:
- Eu sou doente e eu estou doente. Quão fundas minhas olheiras precisam ficar pra que percebam isso?
Eu tenho NOJO de precisar pedir ajuda. Eu sempre fui assim tão fraca? Eu não havia desistido de pisar nos cacos de vidros? Bom, eu achava que sim. Mas eu achava tanta coisa, meu deus. Tanta coisa! E eu nunca roguei por uma palavra, eu não queria me limitar a um vocábulo, mas cheguei a isso. E ri. Por que o que poderia me restar?
Frustração. Foi essa a união de sílabas que eu escolhi. Espero não ser tão patético quanto soa. Mas é mentira, porque eu simplesmente não espero mais nada. Nem de mim e nem de ninguém. Só dói.
Sweet little love, you have broken me apart. THANKS!
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Too little much too late;
Não se atreva a olhar para trás. As alianças perfeitamente redondas brilhavam à luz amarela da igreja. Um padre de mãos postas dava as costas ao público. Derramemos vinho em nossas roupas e dancemos (sujos de vermelho) por liberdade, uma última vez.
- Lucas, você a aceita como sua esposa?
Um silêncio penitencial para nunca mais acordar do transe que lhe levaria às últimas palavras. Uma crítica ferrenha ao crucifixo torto na parede muito branca da igreja.
- Sim.
O padre apressava-se. Os dedos gordos (mantidos às custas do dinheiro colocado nas caixinhas das missas) percorriam a bíblia, como se lesse. Mas tudo era uma farsa, não era?
- Marília, você o aceita como seu esposo?
Ela entreabriu os lábios. Sorriu ao noivo (enforcado pelas alianças douradas) e voltou-se ao padre.
- Sim, eu aceito.
Duas crianças aproximaram-se com almofadas nas mãos. Os anéis amarelos deitados como forcas no estofado vermelho. A dança do vinho, uma hipnose constante. Calma, amigo, mais duas gotas de seu próprio veneno. A receita está pronta. O ano acabou. O medo, não.
Marília apanhou a aliança que a criança loura segurava. A mão do homem à sua frente demorou a se estender. Parecia ainda preso às cordas de fios grossos - uma armadilha. A aliança adentrou seu dedo antes que o último fio de voz lhe corroesse friamente a garganta. O metal frio, inoxidável, rasgando veias, carne e oxigênio. (Dancem no vinho!)
Ele apanhou o anel dourado que ainda jazia (falsa e) inocentemente na almofada. Enfiou-o no dedo da noiva e deu seu último suspiro. O apóstolo - por fim - estava morto.
- Eu vos declaro marido e mulher.
Minutos depois. Lucas ajoelhou-se - já frio - no chão da igreja. Os convidados caminhavam para fora. Sua esposa cumprimentava os pais. A bíblia aberta para enxugar suas gotas de sangue cru e cheirando a ferro velho.
O padre saiu pelos fundos. Bebeu a taça de vinho. A dança havia tido seu fim. As cortinas se fechariam a qualquer momento. Um, dois, três.
Nos sapatos do homem ajoelhado perante o altar, duas palavras:
terça-feira, 15 de setembro de 2009
domingo, 30 de agosto de 2009
Em desapego e putrefação, queimai-vos.
Dois toques que convergiam à mesma oposição: amá-lo ou matá-lo. Mas dentro de mim suas sílabas em rodopios torciam-me as veias azuis e faziam-me implorar à madeira que me corrompesse um pouco mais do que ele, para que – talvez – de outro modo, eu pudesse fazer em mim a dor que seria dele por conseqüência, e as marcas arroxeadas as quais dormiam comigo nos lençóis amargamente limpos ser-me-iam lembranças eternas desenhadas nas cascas mortas das árvores.
Sujos, nossos dedos tocavam-se fria e parcamente por debaixo da mesa. Embebidos em nossos próprios desejos (tão díspares), absorvíamos a aura disforme da noite, cantando os nossos ensejos em nada graciosos e desejando, ambos, corpos que não os nossos próprios. Tantas mentiras deitadas na toalha suja de vinho, as negras inverdades escondiam-se em suas íris sórdidas.
Os saltos na grama perfuravam a terra, desejava que fosse o meu corpo afundado no chão se aquilo significasse encher as unhas da tua carne morta, mas que pulsava tanto. Fui-me embora, então, mas ficaram no tapete as marcas das palavras com as quais eu te embriaguei e as quais voltaram para debaixo de minha epiderme serrada de asco por ser dela e não meu.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Todo o sangue espalhando-se pelas suas mãos. Um braço ao redor do meu, enquanto o desespero toma conta de mim, eu espero que você guarde o gosto dos meus lábios entre os dentes e que jamais o deixe escapar, pois jamais serei viva como fui hoje.
O relógio ainda marca uma da manhã; queria que fosse qualquer hora que não tão cedo. Até mesmo seis me faria satisfeita, se não fosse formado por um ângulo tão amplo quanto aquele. O mesmo doce e fatal seis que me tirara da madrugada fria e me empurrara para a manhã de verão úmida, quando decidi afogar-me nas nuvens de pó e cinzas, que você fez pra mim.
segunda-feira, 27 de julho de 2009

