Você deixou pequenas notas na minha cabeça, e eu não me lembro de todas elas. Nossas cartas ainda estão na mesa, mas não há jogadores. Porque nós partimos. Cada um foi para um lado e eu não me ajoelhei no chão, esperando que você voltasse. Eu nunca fui assim.
Fui. Fui muito mais que isso. Eu fui aquela que mais te amou, mas você nunca soube. E aí aquele amor se perdeu. E algo racional nasceu. Algo quase invisível, perto daquele outro. Eu te deixei, eu te traí. Eu disse que te amava como antes, mas era mentira. Do mesmo modo covarde como você mentiu. Pois bem, estou confessando agora: Eu te amei. Não é mais o mesmo. Agora é só desejo, meu amor. Queime-me por isso, se você também não sente o mesmo. Diga que o seu sentimento é amor puro. Diga, sem mentir, sem virar o rosto. Você é tão deplorável quanto eu. Só que você se esconde, porque você tem medo. E nossas cartas, você engoliu, com medo de que eu ganhasse nesse jogo de esconder. Você puxou a toalha da mesa e as taças se quebraram e você nunca ligou se eu tinha ou não outro amante. Porque seu orgulho foi grande demais para assumir que você me amava. Ou você simplesmente nunca amou. E você mentiu, pensando que eu realmente gostava de ilusões. Não. Ilusões machucam, meu amor. Ilusões rasgam, fazem-me girar em ciclos infinitos de dúvidas, fazem-me beber litros de drogas desconhecidas e não me embriagar, não morrer, não ter a maldita overdose que eu sempre quis ter. Fazem-me escrever, escrever e não achar um fim para esse maldito desespero de enterrar as unhas na carne e não ver sangue. Maldito sangue! A tentação vai falando baixo no meu ouvido, fazendo-me acreditar e me deixando inebriada com a luz da paz, da beleza, da calma, por fim. Mas não é um final isso aqui. Não é a porra de uma carta de amor. Estou me deliciando com a visão da minha mão podre acenando um adeus que você nunca vai ver, enquanto vira de costas e põe as malas no carrinho do aeroporto. Tenho essas visões românticas, do que nunca aconteceu. E sufocam. O segurança olha para você, e ele não tem lágrimas nos olhos, nem você. Só eu, eu é que estou chorando desesperadamente a água que você nunca vai recolher do meu rosto. Que não vai voltar para me dar um último abraço num período de dias, meses, anos. Quem se importa? Você está realmente lendo isso? Vai mesmo guardar isso? Vai me xingar por ser tão melosa nessas palavras, quase versos? Você vai ter vontade de me crucificar por ter te feito ficar comigo quase por obrigação? Porque você está mentindo? Porque não me diz a droga da verdade? Eu posso ver através dos teus olhos quando é de verdade. E não é sempre. Eu vejo tristeza, desespero, vejo um futuro. E não é comigo. E você quer – desesperadamente – ir embora. Então, não minta pra mim. Não minta, porque eu sou fraca e eu acredito no maldito veneno que você expele pela boca. Eu acredito quando você me beija com vontade. Eu acredito quando me abraça com força e quando me joga na cama, na parede, onde quer que seja. Eu acredito quando me toma pelo braço, quando fala que precisa de mim. Eu acredito nesse mundo todo que nós criamos. E que você não fez questão de destruir. E isso foi o que, a nossa primeira briga? Discussão? Desavença? Não. Não foi nada. Não mudou nada. Só me fez rever tudo. E escrever um punhado de palavras, letras, fórmulas, palavrões, nessas folhas de papel que eu nem sei onde você vai colocar depois. Se vai esquecer na esquina de um bar, se vai deixar repousando em cima da cama e seu pai vai ler. Ou se vai rasgá-la, queimá-la, jogá-la. Eu não sei. E acho que não quero saber. Eu quero você, porra. Quero você, do mesmo jeito que te quis desde o começo. Só sou orgulhosa demais para isso.
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" Só eu, eu é que estou chorando desesperadamente a água que você nunca vai recolher do meu rosto. Que não vai voltar para me dar um último abraço num período de dias, meses, anos."
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