sexta-feira, 24 de outubro de 2008

And you can't fake it hard enough

Você, fique em silêncio. Ouve essas respirações interrompidas por essas pequenas tosses em apelos surdos? Exatamente: São dele. Você esqueceu de tudo. Ah, tem tanta sorte... Por conseguir enganar a todos. Exceto a mim. Como foi que você morreu, assim, tão facilmente?
E logo você, que me dizia tantas mil vezes que não queria morrer. Que não devia. Eu tomei uns mil vidros de remédios e estou aqui. O que você fez, meu caro? O que fez para ter acabado assim?
Eu vou te seguir, sabendo que no meu batom, eu guardo segredos que só você sabe. Foi culpa minha, não foi? Diga que foi. Diga. Para mim.
Mas você não diz nada. Continua nesse silêncio infinito. Continua aí parado, com esse rosto pálido e com a hipocrisia estampada nesse sorriso que só você tem. Foi e não me levou com você.
Dentro de mim, ainda existe aquele jardim onde nós dois demos as mãos e juramos ser felizes, fosse como fosse. Esse tempo é mesmo uma maldição, me empurrando para o outro lado, como se nada mais importasse e como se você não tivesse me dado nada a que me agarrar, exceto uma carta escrita à beira da morte. Onde estão os seus remédios? Tudo aqui em mim dói.
Faça a culpa ser minha, seu covarde! Foi você quem me deixou aqui, foi você que não voltou para me tomar pelos dedos e me tirar esse gosto de doença da boca. Então não venha me dizer (uma última vez) que fui eu a culpada por te deixar morrer. Foi você... Foi você, acredite.

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