domingo, 21 de dezembro de 2008

Se não fossem feitos olhos escuros na pele, se não tivesse um cheiro tão bom, se a noite tão fosse tão escura, se tuas mãos jamais tivessem tocado as minhas, se não fosse final de ano, se não fosse o final do nosso ano e se tua voz não fosse tão embriagada de lembranças jogadas ao telefone, eu não sumiria pela ponta dos meus dedos, eu não calaria tantas frases inesperadas, eu não saberia como enforcar verbos que a garganta teima em trazer à boca. Ah, deus (deus?), e a culpa é minha.
My guity is my only crime.
A noite cresce assim em mim como o acorde principal do refrão de uma música. O mi, por exemplo, é tão choroso. Mas, olha, quer saber? Nem todas as músicas que eu escrevi foram para ti e eu espero que você me perdoe por ter riscado outros nomes na minha testa e por ter criado infernos em mim que não são teus. Se a linha do meu novelo fosse cinza, a noite não seria eterna e eu não desejaria teus olhos de vilão encarnados na minha pele criminosa. Não, a culpa é nossa.

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